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" O Preactor nos deu uma resposta rápida de programação, permitindo a criação de cenários alternativos que nos garantiu o controle de todas as fases do processo de produção - desde ordens por data de entrega, através da escolha de linhas de produção, até a liberação do produto para o cliente. "
Antonio Andrucioli - Klabin Sacos Industriais
Os sistemas que fazem o que outros prometiam Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Spadafora Ferreira   
Índice do Artigo
Os sistemas que fazem o que outros prometiam
A Técnica MRP
Limitações da técnica MRP
Os softwares APS
Programação Avançada de Plantas
Benefícios da Programação Avançada de Plantas
O processo de seleção
Todas Páginas

Se você é consultor de empresas que lida com sistemas de gestão empresarial, como eu, certamente já observou situação que vou descrever agora:

Depois de um projeto extenuante de alguns meses, ou mesmo anos, a implantação dos módulos industriais do software de gestão empresarial começa a emperrar.
Não se sabe se é melhor parar o projeto ou seguir adiante.

A implantação dos módulos administrativos financeiros até que correu bem. Mas quando chegou a hora de colocar as funções de planejamento e programação em funcionamento, começaram a aparecer as surpresas. Onde está o software que deveria programar a fábrica e as compras de forma fácil e rápida? Por que o sistema insiste em gerar planos defasados e inviáveis?

Familiar?

Se você não é consultor, mas trabalha em alguma empresa de manufatura, provavelmente já viveu e sentiu as conseqüências desse cenário.
Além dos possíveis problemas de implantação, bastante comuns, isso acontece porque a maior parte dos softwares de gestão empresarial, os chamados ERP – “Enterprise Resource Planning”, na verdade, têm muito pouco de “planning”.

Eles se concentram no controle das transações que movimentam os processos de negócio e na disponibilização dessas informações para toda a empresa. São softwares de contador, de controladoria, e se aplicam bem na parte administrativa financeira da empresa. Mas são um desastre na coordenação das atividades de manufatura, de suprimentos e de distribuição.

Esse fato, em conjunto com as expectativas irreais criadas no momento da decisão de compra, pode levar a desilusões na hora da implantação.

Este artigo tem os seguintes objetivos:

  • Discutir as aplicações e limitações da técnica de programação MRP – Material Requirements Planning, base da funcionalidade industrial da maioria dos softwares ERP.
  • Apresentar a nova categoria de softwares especializados em programação avançada que substituirão, em futuro próximo, a técnica MRP. São os chamados APS – “Advanced Planning Systems”.
  • Apresentar os tipos de manufatura que mais se beneficiam da aplicação dessas ferramentas avançadas de programação.

ERP e MRP

ERP é uma sigla que identifica os softwares de Gestão Empresarial Integrados.
São chamados de gestão empresarial porque, a princípio, apoiam a gestão de todas as áreas da empresa. E são chamados integrados porque permitem a troca eletrônica de informações entre os departamentos de forma ágil, confiável e automática.

Cada operação que gera uma transação registrada no sistema está imediatamente disponível para todos os envolvidos na operação em si, ou nas suas conseqüências. A empresa passa a dispor de uma única base de dados em que todas as informações correntes são mantidas atualizadas e disponíveis para todos as áreas envolvidas.

Assim, por exemplo, quando o recebimento de um material comprado é capturado no sistema, ele automaticamente atualiza a situação do estoque do material, atualiza a posição do pedido de compra correspondente e gera a informação de que o pagamento relativo ao recebimento passa a ser devido ao fornecedor. As áreas de almoxarifado, compras e de contas a pagar compartilham a informação do recebimento assim que o mesmo é registrado no sistema.

O mesmo acontece com todos os tipos de transações importantes como, por exemplo, faturamento de produtos, apontamentos de consumo de materiais, apontamentos de produção, pagamentos e muitas outras.

Essa rapidez de comunicação e integração de informações traz muitos benefícios, especialmente:

  • Maior confiabilidade e disponbilidade das informações.
  • Maior agilidade nos processos administrativos, com redução no lead time de processamento.
  • Maior produtividade administrativa com eliminação de tarefas que não agregam valor.

Esses sistemas de gestão empresarial podem ser desenvolvidos internamente com maior ou menor grau de integração, ou podem ser adquiridos de empresas de software especializadas na construção de softwares ERP.

A tendência dominante em todo mundo é a utilização de sistemas ERP prontos. Existem empresas multinacionais e multibilionárias especializadas na construção e implantação desse tipo de sistemas. As principais empresas mundiais de ERP são respectivamente:

  • SAP
  • PeopleSoft
  • Oracle
  • Baan
  • JD Edwards
  • SSA

No Brasil, devido às muitas particularidades da nossa legislação fiscal, esses sistemas precisam ser adaptados antes de serem aplicáveis às empresas que operam em nosso país.
Existem também empresas brasileiras especializadas na construção desse tipo de sistema, embora de porte muito menor que seus competidores externos.

Os principais softwares ERP brasileiros são:

  • Magnus Datasul
  • Protheus Microsiga
  • RM Sistemas
  • Omega ABC71
  • Logix Logocenter

A implantação de um software ERP impacta toda a operação da empresa, modificando procedimentos, formas de gestão e políticas. A implantação precisa ser apoiada por especialistas no software e por especialistas em processos de negócio. Tipicamente podem exigir de 8 meses a 2 anos de esforço e grandes investimentos em serviços, hardware e software.

Assim como atendem a área administrativo-financeira, os ERP também pretendem atender à área industrial. E aí começam as dificuldades mais sérias. Normalmente, as funções administrativo-financeiras são semelhantes para diferentes empresas, mesmo que sejam empresas de indústrias diferentes.

Entretanto, as funções de planejamento e programação se diferenciam bastante de acordo o tipo de indústria. Quanto mais perto do nível operacional, maiores as diferenças entre as indústrias. As necessidades de planejamento e programação de uma montadora de automóveis, por exemplo, são totalmente distintas das necessidades de planejamento e programação de uma fábrica de alimentos.

Quase todos os ERPs existentes, a menos os de concepção mais recente, baseiam seus módulos industriais na técnica MRP – “Materials Requirements Planning”, que é uma técnica que começou a ser utilizada comercialmente na década de 70. Portanto, o relacionamento entre ERP e MRP é que o MRP é uma técnica de programação utilizada nos módulos industriais de softwares ERP.

Historicamente, os ERPs foram desenvolvidos agregando módulos e funções em torno do núcleo central que era o MRP.